8.11.2015

Contagem Regressiva

Década de 1920. Personagem está em uma estação de trem. Faz frio. Cigarro na boca mostra segurança. Casaco preto. Chapéu da época. Sozinho reflete.

 - Em pleno inverno e as horas não passam.

[Ele olha para o relógio de bolso de tempos em tempos]

 - possivelmente esses ponteiros congelaram.
 - Ela nem olhou pra trás. Passou por mim como se eu fosse um...

[Ele olha para o trilho]

- Se ao menos eu tivesse dinheiro
- Casas, cavalos ou escravos...

[Ele acende um cigarro]

- Não se pode ter escravos
- Eu não posso ter escravos
- Seria uma traição às minhas origens

[Aprecia o cigarro]

- Mas aqueles olhos. Azuis.
- Grandes pedras vivas.

[Olha para os trilhos]

- Depois que eu ficar rico
- Volto.

[Cigarro]

- Todos vão lamber meus pés.
- Ela vai me desejar.

[Riso tenso]

- Vou usa-la. E devolvê-la à sociedade
- Jogarei ela no esgoto. Na sarjeta.
- No lugar em que passou por mim.

[Apaga o cigarro]

- Só faltou cuspir.
- Até que enfim. Maldito trem...
- Não tenho tempo a perder...

BLACK OUT

1.26.2014

ESPERA


 

 

Personagem sentado em frente a um aparelho semelhante ao micro-ondas – silencio e prazer acompanhados com sons de campainha de porta e de preparo de micro-ondas.

Congelamento – blackout

As cenas sobrem interferências sonoras.

Personagem entra em cena, desconfiado.  Tenta falar, balbucia algo. Pega a cadeira senta-se de frente para o aparelho. Incomodado vira-se para o publico. Acende um cigarro lentamente. Fuma. Apaga o cigarro. Inicia a roer unhas. Para olha para o objeto. Fica de costas.

(O ator deverá ter bem claro o incomodo do objeto que passou a fazer parte de sua rotina, com interferências em seus pensamentos, em seus diálogos, na leitura de seus livros. é o incomodo de ter o outro invadindo seu espaço vital sem ser convidado. O ator poderá também acrescentar seus incômodos pessoais.) O ator pode estender bem o tempo.

Personagem - Com um impulso interno levanta-se para sair.

“Nada”

Antes de sair o som do objeto interrompe seu objetivo.

Parado por uns instantes. Acende outro cigarro. Encara o objeto e o desafia com o olhar.

“O endereço? O que você quer de mim?”

Silencio. Conversa tumultuada.

“Ela me observava no… (som do aparelho),

Aquela outro era bem leg… (som do aparelho),

tem um que é importante, mas não sei...(som do aparelho)

Poderia ser aquele que sempre sonhei… não… não é just…(som do aparelho)”

Lentamente o personagem levanta-se buscando em sua mente endereços perdidos. Raiva da insistência do aparelho. Digitação sem olhar. afasta-se lentamente.

“Não tem como cancelar... eis o que pedes a meses...”

Personagem lentamente ajeita a cadeira de frente para o publico, afastado do aparelho, sem perdê-lo de vista. senta-se. acende um cigarro. traga uma ou três vezes... desenhando a fumaça... levanta olha para a janela, volta a sentar, roem as unhas, volta até a janela.

Repete as ações um pouco  mais rápido, até a ultima ação. Pausa.

Repete mais rápido e depois mais rápido. Pausa.

“ Manual!”

Sai de cena alguns segundos. Sons de procura. Falas distorcidas... antes da entradas.

“Gavetas... armários, colchão… lixo… lixeiro… não… mãe… pai… santos?”

Retorna arrasado, arrumando-se. Senta-se cabisbaixo.

Emprestei para aquele…”

Acende um cigarro continuando a fala e balbuciando coisas não audíveis.

Reinicia as ações anteriores lentamente entre um pensamento e outro, interrompido pelos sons do aparelho. As ideias não podem ser concluídas. Podendo ter experiências e vivencias do ator.

“ Deveria ter comprado o… “ Acende o cigarro

“Aquela carta dela foi tão…” vai até a janela

“Ainda não consertou essa…” som do aparelho

“… sinto tanta falta… senta-se e roem unhas

Era minha preferida…” Vai até a janela

Som do aparelho.

 

Movimentos podem ser repetidos varias vezes. Senta em silencio. O aparelho dá sinal de pronto. O personagem assusta, levantando repentinamente, com as pernas bambas. Olha o aparelho aflito. Inicia o impulso de ir até o aparelho ver o resultado. A campainha da porta toca. Outro susto. Senta-se extasia. Pensamento confuso. Respira fundo. Acomoda-se na cadeira, acende outro cigarro. Sorri satisfeito pela nova rotina de sua casa.

Blackout.
BlueNight

8.05.2012

LOVE, LOVE, LOVE


Como um zumbido, o som toca os tímpanos, vibram membranas sonoras, acalmam neurônios.

Com guitarra elétrica, ensurdece a alma, revoluciona a vida, agita o sangue, ativa a criação.

Palavras de liberdade, de paz, de revolução, de paixão e amor. Com rimas, sem rimas, som calmo ou agressivo.

Vieram. Mostraram. Modificaram. Permanecem por diversas gerações. Como explicar?

Não se explica. Sente correr na alma. Sente vibrar no corpo. Alucina. Contagia.

Junta e espalha. Concorda discordando. Políticos. Reivindicaram por todos. Amaram. Todos.
Love people. Love The Beatles. Love word. Love. Love

OLGA...

10.09.2010

Passos... muitos passos

Passos marcados, movimentos exatos,
história lógica, ou uma lógica exata?
Passos, movimentos, olhares.
Não falar em um teatro a vida
não dizer demonstrando a rotina
querer sem esquecer nada

Não deveria ... Mas nos acostumamos...
Sempre ...Atrasados, ônibus cheio, um mundo nostalgico.

PARAR

Olhar as flores, pássaros... as estrelas
Você faz parte dessa admiração
sua falta não é transparente
mas sentida profundamente.

Parar... para com a rotina, com os ditos populares
as frases mal feitas e as crônicas rudes...

Volte bem.... as estrelas nos aguardam!

Imaginadora

9.30.2010

IN-FOR-MA-ÇÕ-ES

Caminhos, distantes, vidas, informações, alheias, noticias, imagens, rodas, sereias.

Cheiro, fantasia, gula, vaidade, veracidade, morte.
Ideais confusos, sim, informa-, confusos, não, verdade, nuvens, pássaros.
Controle, vôo, corrida, maresia, -ções, descontrole, solidão.
Individuo, cidadão, pensamento, informações, opinião, dejetos.
Caminhos, inconseqüência, maré, peixes, bóiam.
Maquinas, voracidade, sangue, informaç-, olhos, mentiras, tiros.
Fagulhas, fontes, vento, sóis, dias, escurid-ão, janelas, chaves.
Informações, infor-, palavras, gestos, frases, olhares.
Crianças, adultos, infor-matica, forma, força, desastre.
Matemática, matica, moedas, moleiras, motivos, miúdos, bolas.
Criatividade, cria, cachorros, rua, fome, violência, informações, imagens, mortes.
TV, radio, jornal, revista, discos, vendedor, leitor, publico, O Alvo.
Buracos, mãos, promessas, salários, mulheres, homens, atentados, greves.

Sanidade, loucura, construir, destruir, presenciar, kms, léguas, submarino...

Volta ao mundo em 80 dias... A bela e a fera... A Bela adormecid... Branca de Neve e os set... Peter ... Alice no... Rapon...

Porquinhos. Anões. Fadas. Maçã. Rosa. Balão. Morte. Violência. Informação. Criança. Sala. Professores.
Médicos. Futebol. 2x0. Brasil. EUA. Info-. Caminhos. Alheios. Confusos. Jornal. Maç-. Moedas. Promessas. Carecas. Mentiras. Terroristas. Ditadura. Vermelho. Azul. –ões. Rotina. Desvida. Desaniversario. Desfantasia. Des. Des. Des.Des.



Tx2916/061981.216.80


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Maquina receptora de informaçoes

9.11.2010

MIL coisas

O Anacrônico movimenta nossa vida para o fim como tambem para o infinito!


Sr Tempo.

7.31.2010

Barulho cotidiano

Toc toc toc. Gotas. Toc toc toc. Lágrimas. Toc toc toc. Amores. Toc toc toc. Adeus. Toctoctoc. Adeus, gotas. Adeus. Toc toc toc. Adeus lágrimas. Adeus. Toc toc toc. Adeus, amores. Adeus. Toc toc. De partida. Toc. Gotas. Lágrimas. Amores. Adeus. Partido...


Observadora do tempo
Annyma

7.25.2010

Águas de uma vida

Maré de água dos rios. Dos Sóis dos campos alagados. Das enchentes nas árvores do mundo. Canta. Canta uma vida tristonha. Triste pelo costume. Costume de roda gigante. Que vicia o giro da morte. Mesmo seguro de vida. Maré de rios em suas águas. Campos alagados dos Sóis. Árvores do mundo, enchentes. Fala. Fala palavras contentes. Contentes pela rotina. Rotina de carrossel. Que gira os círculos da vida. Vida de cavalos domados. Domados para a rotina. Da menina Vida e da guria Morte. Sempre se fazem companhia. Nas marés noturnas. Nas marés dos dias. Num Vai e Vem devagar. Como balanço, menina. Marés. Morte e Vida amigas. Nascem e morrem gurias. Mares profundos do olhar. Lado a lado, mocinhas. Caminham ao longo do mar. Dançam a beira de rios. Enchem o Tempo com lágrimas. Alagam o Tempo com risos. Rio. Mar. Tempo. Maré de águas dos rios...

Mari-mar-i-ana...

7.08.2010

Feminismo x Masculino

Revolução. Revoluções.
Liberdade Feminina. Prisão Masculina.
Um ganha. Outro se perde.
Calça, sutiãs, pipulas... Liberdade de escolha.
Desemprego, filhos, dono de casa... Domiciliação.

Há uma guerra?
Há um empasse?
Um consegue viver sem o outro?
Mesmo com toda liberdade e "igualdade"?
Sobrevive-se sozinho?


Revolução. Mudança. Conflito. Valores.
Cidadania. Homens. Mulheres. Ideologias.
Conquistas. Perdas. Vidas. Mortes.
H.omens e M.ulheres.

H e M
Se amam ao extremo.
Se odeiam ao máximo.
Convivem. Como?
Se olhando.


Menina de Preto

6.26.2010

Jabo

Sozinho estava naquele lugar movimentado.
Ramificado, preso.
Amigos? Não. Apenas admiradores de sua beleza.
Ele olhava para os lados, sem amor, sem nome.


 

Um casal passou por ele.
Resolveu levá-lo.
Agora tinha um lar,
Agora... Tem um lar, uma famila, para seu frutos doar.



Jabo, tem uma amiga.
Admiradores? Não. Amor.
Regada todo dia,
Sol, Luz, Carinho.



 
Jabo,
que era uma árvore sozinha,
agora é feliz.
Das folhas à raiz.



Jabo, o bonsai

6.17.2010

Um amor

Amor,
Que sabe o desejo,
Que vê através dos olhos
Que sente pela pele
Que elogia sem nada esperar

Amor
do simples carinho
ao complexo sentimento

Amor
Ter um amor
não é possuir
mas conquistar dia-a-dia

Eu tenho um Amor
Que me conquista todo dia.

TML

6.12.2010

Burocracia Burrocratica

Devo, não nego, não me deixam pagar...
A burocracia, a cada dia, se torna uma “burrocracia”.
São tantas regras, métodos de logística, que os próprios funcionários, aqueles atendentes treinados para “Melhor colaborar”, não sabem as tais Regras.
Assim fico pensando em histórias cada vez mais loucas sobre a logística canibal do telemarkenting:
Episódio 1: A lareira>>
Todos tomando café e vendo jogos, na frente da lareira. Estes esperando um otário, no caso eu, ligar, assim param com os jogos, imitam vozes de vários atendimentos e atendem: “O que o senhor deseja?” Assim enrolam, enganam, estressam o “eu, otário”. No final da ligação, o atendente vai ao quadro de pontos... risos, pontuações e recordes... retornam para a frente da lareira, mas agora com vinho para comemorar...

"retirada da pesquisa de imagens no site Google."

Argonautalina Consumisnia F. Q'F. Semnoção.

6.04.2010

Sua inteligência ofusca minha ignorância.
Suas verdades também são minhas, mas não compreendo.
Suas palavras que me encantam confunde minha razão.
Seus sonhos são iguais aos meus. Com uma lógica diferente.
Crio resposta as suas perguntas, porem não sei se são as respostas certas.
Nem sei se existem resposta... muito menos respostas certas!
Ouves minhas duvidas. E como um Filosofo Grego (Socrátes) a acrescenta outras duvidas.
Durmo e acordo com a certeza das coisas que não tenho certeza.
Acordo com Perguntas que não consigo responder.
Ando com pensamentos que buscam a Solução.
Arrumo a "Casa" investigando vestígios de prováveis realidades.
Paro e te admiro!
Você tem respostas, uma provável Solução, um caminho traçado...
e eu...
As vezes duvido de sua admiração por mim.
Admirar o que?
As vezes adoro minhas complexidades explicadas por você.
Mas você explica até a pagina 05, por que as outras paginas terei que explicar...
Ah! Confusões da ilusão do mundo Real.

Amenófis

5.29.2010

Instinto

Arranhões nas portas, choro e uivos.
Aquele animal fêmea busca sanar sua solidão.
De um lado para outro ela sabe o momento.
Seu instinto mostra que precisa de um companheiro.
Assim é a natureza.
O homem insiste em lutar.
Lutar contra o instinto de AMAR.
O homem esconde no travesseiro o desejo.
Desejo de ser feliz.
Mas aquele animal não disfarça seu desejo.
Luta contra os obstáculos. Porta. Madeira. Pessoas.
Luta para manter sua raça.
Satisfazer seu instinto.

GAIA.

5.20.2010

Indignação

Indignação... aversão
Prefiro me indignar-me com a anomalias de carater. Indignar-me com o feito que desfaz o que deve ser bem feito.

indignação --- repulsão
Não vou me indignar mais com as ordens mal feitas, não vou. Não vou me indignar cam a idéia que a quantidade é melhor que a qualidade.

Indignação - Estado de desprezo ou cólera inspirado pelo que é indigno.
Indignar contra os erros que somos forçados a cumprir por ordens acima, que não VÊ os suas ordens traz a ignorância.

Me vejo escrevendo uma realidade que não é minha.
Educar os filhos dos outros é deixa-los o vento levados à ignorancia da sociedade burocratica.
Vejo os livros serem rasgados em sonhos nebulosos.
Enxergo as palavras distorcidas pela autocracia individualista.
Percebo o bom senso sumir do cotidiano dos que seguem ordens... cegamente.
Você.

Sophia - conhecimento.

5.13.2010

Som. Palavras. Melodias...

A sonoridade das palavras enfeita meus cabelos, floreia meu jardim, perfuma o meu corpo.
Em um instante estou envolvida pela melodia das poesias, pelo tom dos contos, semitons das cartas.
Violinos, violoncelos, trombones, trompetes, instrumentos vocais humanos que variam conforme os acordes sentimentais.
E eu nesta dança das paginas de um livro, nas cenas de um filme, no ato em teatros, eu apenas uma menina envolta aos medos, as alegrias, as variações.
Corro atrás do belo em palavras lúdicas, em melodias agudas e graves, corro para não perder o som pela distancia.
A velocidade das transformações, performaces, balés gráficos aceleram meu pequeno coração.
Coração esse que busca sempre mais para continuar a respirar o ar melancólico, o odor risonho, os perfumes dos acrósticos.
Amo as anáforas das poesias, encantadoras melodias sonoras.
Por meio desta criptografia eu expresso a sede por Palavras articuladas para encantar os sonhadores.
SOPHYA

5.06.2010

ESPELHO

Um longo corredor separava a poltrona e o espelho. Pisos e passos. A tempos não se olha. Olhos fundos. Lapis preto. Batom vermelho. Borrado. O espelho distante. Não se ver era opção.
Um dia viu sua alma. Não gostou. Era muito inocente. Nada arrogante e esperta. Poderia ser enganada. COMO JÁ OCORRERA. Viu em seus olhos uma menina. Perdeu a vontade. Gritou. O espelho afastou. Sentada na poltrona observa. O Espelho no fim do corredor Observa.
O tempo é contado pelo espaço que se faz. Espaço que aumenta a cada dia, hora, minuto. Tempo que traz a solidão. O espelho oferece a Companhia.
Ela, tu, eu se afasta da imagem colorida e transparente. Não deseja ver a maquiagem borrada, as roupas rasgadas e amassadas pela rotina noturna. Não deseja ver o que o Espelho oferece. Esperlho que contradiz o Tempo.
Afastar-se. É ordem.

Isa, Isabely

4.30.2010

ELA e seu mundo irreal

A fantasia. Contamina. Seres sonhadores. O irreal encanta. Os que amam poesias. Utopia. É para os enlouquecidos. Por aventuras de livros e filmes. O mundo perdido da mente. Para todos que nascem e morrem. Coisas. O que te faz feliz? Está ai… aqui… ali... entre os neurônios? Escolher. Difícil. Criar. Possível. Criar mundos, rotinas, rótulos, posturas e idiomas dos mais diversos. Senhor dos anéis. Avatar. O mundo imaginário de Dr Parnassus. Star War. Peter Pan e a terra do nunca. Alice e país das maravilhas. Mundos. Irreais. Contagiantes. Imaginados. Loucos os que admiram! Não. Loucos quem subjugam a criatividade. Quem não vê. Não vê beleza. Não fantasia. Irreal. Todos são irreais. Somos irreais. Buscar uma realidade “normal”, constar ser um “ser” infeliz. Dever é… Amar livros, filmes, poesias, literatura. É real a irrealidade. Encontre o seu mundo! Mesmo por dez segundos. Seja “A-normal”, por um milésimos do tempo. A força do irreal nos contos… dos loucos, dos verdadeiros. Aquecer o coração com a ilusão. Extinguir. Detonar o real. Mundo cruel, sem ilusões... sonhos… fantasias. Mundo frio. Viver na “Terra do Nunca”. Passar segundos no mundo imaginário do Dr. Parnassus. Correr atrás do coelho no mundo da rainha de Copas. Ser feliz? Ser irreal? Ser verdadeiro? Sim. Ser. Feliz. Irreal. Depois. Acordar. Com um mundo. Idéias. Novas. Melhor. Renovadas.

Amelli.